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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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REN PLANTA 400 ÁRVORES POR DIA PARA COMBATER INCÊNDIOS

Mäyjo, 19.07.17

REN

João Gaspar é o responsável pela área de Servidões e Património da Rede Eléctrica Nacional (REN), por isso tem ao seu cuidado as faixas de terreno por onde passam os cabos de alta tensão que alimentam o país. Desde 2010 que a REN tem em marcha um plano de reflorestação desses corredores com espécies autóctones, que desempenham um papel muito importante no combate aos incêndios, geram receitas para os proprietários dos terrenos e promovem a biodiversidade. Fomos tentar perceber melhor como funciona o plano.

 

Entre 2010-2016 a REN foi responsável pela plantação de 745.000 árvores de floresta autóctone, cerca de 400 árvores a cada dia nos últimos seis anos. Qual o balanço que faz deste projecto de reflorestação?

Fazemos um balanço muito positivo. Em 2010, quando iniciámos, estas acções foram integradas num novo paradigma que alia a promoção de um ecossistema sustentável à valorização económica das faixas de servidão, numa área superior a 1 450 hectares, através da plantação das árvores, que são essenciais no combate aos incêndios (quando comparadas com a vegetação anteriormente existente), na criação e preservação de biodiversidade e uma fonte de rendimento para os proprietários dos terrenos. São 7 700 proprietários, que podem agora a tirar rendimentos de terrenos que habitualmente estavam ao abandono, e centenas de comunidades locais satisfeitas com o aumento da biodiversidade.

Só no ano de 2016, foram plantadas 107.353 árvores numa área de 395 hectares. Qual o investimento feito pela REN nesta iniciativa? 

A REN tem feito nos últimos anos um investimento significativo na preservação ambiental. Porém, mais do que o investimento feito pela empresa, o mais importante será o efeito multiplicador que o mesmo terá na prevenção de incêndios e na criação de rendimentos para os proprietários, que será algo duradouro e constante no tempo. 

Quais as principais regiões intervencionadas? Que espécies foram plantadas nestes locais?

Em 2016 as principais regiões onde intervencionamos foi na zona centro (distrito de Aveiro), nomeadamente nos municípios de Arouca, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis (municípios muito fustigados pelos incêndios florestais de 2016) e Anadia, assim como na região do Minho, nomeadamente em Vieira do Minho e Fafe. As espécies plantadas fazem parte da floresta autóctone portuguesa, nomeadamente pinheiro manso, medronheiro, sobreiro, castanheiro e carvalho. Analisando o período de 2010 a 2016 podemos afirmar que temos intervencionado em todo o país, desde o Minho ao Algarve.

No âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, em 2016 foram ainda intervencionados cerca de 4600 hectares de faixas de servidão. 

O Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, foi criado na sequência dos grandes incêndios de 2003 e 2005 e através do qual a nossa rede eléctrica passou a integrar as Redes de Faixas de Gestão de Combustível, locais onde se procede à modificação e à remoção total ou parcial da biomassa presente. O papel desempenhado por estes corredores na defesa da floresta contra os incêndios, assim como no próprio apoio ao combate aos incêndios é importantíssimo pois dificulta o avanço das chamas e ao mesmo tempo facilita o trabalho dos bombeiros. Tal razão tem levado a que nos últimos anos temos vindo a adaptar os nossos corredores ao propósito da defesa da floresta contra os incêndios. Aliás, estamos muito próximos dos Bombeiros e temos várias iniciativas de parceria. Também aderimos ao Movimento ECO – Empresas Contra os Fogos, em 2012, um programa que tem como objectivo potenciar a prevenção dos incêndios florestais e sensibilizar a opinião pública para os comportamentos de risco.

Tem havido uma clara aproximação da REN às comunidades que vivem perto destes locais tão ricos em biodiversidade. Como tem acontecido este encontro? Qual o feedback da população local?

Esta aproximação é uma consequência natural da nossa estratégia de sustentabilidade que tem como um dos seus três pilares o envolvimento e satisfação das partes interessadas da empresa, sendo as comunidades locais uma delas. Assim, o nosso trabalho passa por integrar o seu bem-estar, as suas preocupações e resposta às necessidades das mesmas, na nossa estratégia. Na prática, isto significa que sempre que projectámos uma nova linha levamos muito a sério os contactos com as comunidades locais, os proprietários dos terrenos, as preocupações e bem-estar de ambos, bem como a biodiversidade existente na região.

O feedback tem sido muito positivo, a começar pelo impacto visual trazido pela reflorestação, que está agora mais valorizada pela plantação de árvores autóctones compatíveis com a presença das linhas. Os próprios cidadãos percebem também que esta reflorestação aumenta a biodiversidade do coberto vegetal, diminui os riscos de incêndio, rentabiliza os solos e permite o regresso dos proprietários às suas propriedades. Tem igualmente um carácter experimental, ou seja, pretende provar que existe espaço para outras espécies, nomeadamente as autóctones e que é possível extrair rendimento das mesmas.

Incentivar os proprietários a adoptar abordagens mais activas na gestão das faixas de servidão tem sido igualmente uma aposta da empresa. Que acções estão a ser desenvolvidas nesse sentido?

As acções de reconversão vêm garantir uma melhor gestão destas áreas e a criação de valor económico para os proprietários que têm agora a possibilidade de obterem rendimentos dos seus terrenos, que usualmente eram deixados ao abandono. Os proprietários passam assim a ser parte activa na gestão destas áreas, criando um impacto positivo na conservação ambiental e protecção da biodiversidade.

REN 2

Há apoios locais para a implementação real destas iniciativas? Com que parceiros contam para pôr estes projectos em prática?

Ainda antes de avançarmos com as reflorestações procurámos rodear-nos de quem nos pode ajudar. Os nossos parceiros são a Quercus, na selecção das espécies autóctones e na revisão dos projectos, antes ainda da sua submissão ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). E também a Cooperativa Portuguesa do Medronho, para a dinamização do medronheiro como uma das espécies autóctones a promover junto dos proprietários de terrenos atravessados pelos corredores das linhas de transporte de energia. Após a aprovação dos projectos por parte do ICNF, os nossos parceiros na implementação destas acções são prestadores de serviços do sector florestal que utilizam mão-de-obra local nas acções de reflorestação, contribuindo assim para a criação de emprego local.

O pinheiro-manso tem sido a espécie eleita em cerca de 70% dos casos. Porquê a escolha desta árvore? E que outras espécies surgem como alternativas sustentáveis?

Efectivamente o pinheiro-manso tem sido a espécie florestal autóctone mais escolhida pelos proprietários dos terrenos, o que se justifica, porque é uma espécie florestal que permite múltiplas utilizações, das quais a produção de pinhão é a mais valorizada, combinando o elevado valor económico com o da protecção ambiental e paisagística. Saliento, no entanto, que nos últimos dois anos temos assistido a um aumento significativo da área plantada com carvalhos e castanheiros, facto que se encontra relacionado com o local das (re)arborizações, as quais se desenvolveram, na sua grande maioria, no Minho e em Trás-os-Montes, e com uma maior pró-actividade da REN no conselho das espécies a utilizar. Uma das espécies que prevemos venha a aumentar significativamente a sua área é o medronheiro, daí o estabelecimento de uma parceria com a Cooperativa Portuguesa do Medronho, uma vez que sendo um arbusto é perfeitamente compatível com a presença das linhas de transporte de electricidade,  e é uma espécie com um grande interesse económico, quer na produção da aguardente de medronho, quer em múltiplas outras utilizações na indústria agro-alimentar

Que acções ligadas à reflorestação e biodiversidade estão a ser postas em prática pela REN actualmente

Sempre que finalizamos um projecto fazemos a reflorestação da área de servidão. Simbolicamente, começamos estas arborizações com iniciativas em parceria com as autarquias e escolas locais. Em 2017 já realizámos duas acções assim, com cerca de 200 alunos de escolas de Gouveia e da Trofa. Até final do ano pretendemos realizar pelo menos mais uma acção deste género.

PONTE DE LIMA RECUPERA ÁREAS CONSUMIDAS PELO FOGO

Mäyjo, 14.12.16

ponte-de-lima

A zona das lagoas de Bertiandos e São Pedro d’Arcos, em Ponte de Lima, devastadas pelo fogo no Verão passado, começam agora a ser recuperadas. Este é o primeiro de um total de 11 hectares que vão ser reabilitados na região.

 

Começaram este sábado a ser reflorestadas as zonas ao redor das lagoas de Bertiandos e São Pedro d’Arcos, situadas numa Área de Paisagem Protegida, em Ponte de Lima. Com a plantação de mil árvores deu-se início a um projecto de recuperação de 11 dos 13 hectares destruídos pelo fogo no Verão passado, no parque florestal da Quinta de Pentieiros.

Criada em 2000, a Área de Paisagem Protegida das lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos está situada no sopé da Serra d´Arga. A zona compreende duas lagoas, várias linhas de água, como o rio Estorãos e áreas agrícolas e florestais.

A acção de replantação de mil folhosas autóctones, intitulada “Um dia Pela Área Protegida” que decorreu no sábado, na quinta pedagógica de Pentieiros, pretendeu “a par dos objectivos ambientais, promover hábitos de voluntariado”. As árvores foram oferecidas por uma empresa do sector automóvel instalada no Alto Minho cujos colaboradores participaram na acção de reflorestação.

A Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e São Pedro d’Arcos estende-se ao longo de 350 hectares no concelho de Ponte de Lima e inclui cerca de 22 quilómetros de percursos pedestres. Em termos de flora e vegetação, a zona apresenta perto de 80 espécies vegetais consideradas raras ou em vias de extinção.

 

Fotos: jesuscm / Creative Commons

 

PORTUGAL: VERÃO DE 2016 FOI O MAIS POLUÍDO DOS ÚLTIMOS SEIS ANOS

Mäyjo, 01.11.16

burning the Amazon Rainforest

A conclusão é avançada pela associação ambientalista Zero, depois de ter analisado os dados relativos à qualidade do ar de 2011 a 2016, no período entre 1 de Agosto e 15 de Setembro.

Resultados? 2016 foi o ano em que os níveis de poluição foram, de longe, os mais elevados em Portugal.

 

A associação Zero analisou os dados disponibilizados no site da Agência Portuguesa do Ambiente, dando especial atenção a dois componentes: as partículas inaláveis e o ozono, ambos associados a situações de incêndios florestais. Assim, no caso das partículas inaláveis os incêndios tiveram um papel preponderante nos elevados níveis registados, bem como o transporte de massas de ar vindas do norte de África, que influenciaram as concentrações poluentes em muitos locais. Os valores mais elevados de partículas inaláveis, já com impacto para a saúde pública, registaram-se Estarreja, Vouzela, Funchal, Ílhavo e Montemor-o-Velho.

No caso do ozono, as elevadas temperaturas que se fizeram sentir este Verão podem em grande medida ajudar a explicar estes níveis acima da média dos anos anteriores. A estação de monitorização de Vouzela foi mesmo o local que acusou as mais elevadas concentrações de ozono, nos dias 8 e 9 de Agosto.

A associação  Zero alerta ainda que a legislação em vigor no nosso país não exige nenhum aviso à população em situações como as que se verificaram este ano. Para a Zero, e devido aos valores de tal forma elevados em determinados locais, as autoridades de saúde e de ambiente deveriam ter feito recomendações específicas, em particular em relação às populações mais sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias).

Aqui poderá consultar toda a informação disponibilizada pelo Agência Portuguesa do Ambiente, analisando as diversas zonas do país, e comparando com resultados de anos anteriores.

Foto: Porjecto Atitude Verde / Creative Commons 

ZONA COSTEIRA DA MADEIRA ESTÁ COBERTA DE CINZAS

Mäyjo, 25.10.16

HOMEM DE GOUVEIA LUSA

Homem de Gouveia - Lusa

 

Uma enorme mancha negra junto à costa da Madeira levou os Bombeiros Municipais da Calheta a pensar tratar-se de um derrame de crude. Mas as autoridades já vieram esclarecer que o que se observa no mar e zona costeira da ilha são depósitos das cinzas dos incêndios do Verão.

 

Entre as freguesias do Estreito da Calheta e o Jardim do Mar, o cenário natural pintou-se de negro, de tal forma que bombeiros e autoridades marítimas ocorreram ao local para tomar nota da ocorrência. O que num primeiro olhar pareceu aos bombeiros municipais sinais de derrame de crude, mais tarde foi identificado como uma quantidade impressionante de cinzas resultantes dos incêndios que devastaram a ilha em Agosto.

Segundo Felix Marques, comandante da Zona Marítima da Madeira, os resíduos encontrados no terreno são compostos de cinzas e material inerte que as chuvas dos últimos dias arrastaram das terras altas para a zona costeira.

A autoridade marítima regional salientou que não existem quaisquer riscos de contaminação, devido à natureza dos materiais. O comandante Félix Marques referiu ainda que toda a costa sul da Madeira foi invadida por estes resíduos.

calheta 

Rui Silva/ASPRESS

 

EUCALIPTOS E INCÊNDIOS AMEAÇAM PRODUÇÃO DE MEL

Mäyjo, 24.10.16

producao-mel

O aumento das áreas de eucaliptal e os incêndios estão a ter um efeito devastador na produção de mel certificado na Serra da Lousã. Do ano passado para este ano baixou de 27 toneladas para 11.

 

Cooperativa Lousamel está preocupada com o rumo que as coisas estão a tomar. A redução das manchas de urze, entre outras espécies melíferas, provocada pelos fogos florestais é apenas um dos factores que está a ameaçar a produção de mel na serra da Lousã. As alterações climáticas também têm sido fonte de problemas, levando à desregulação da actividade das colmeias

O aumento das áreas de eucalipto é o outro principal factor de quebra da produção. Segundo António Carvalho, da Lousamel, nos últimos anos, na sequência da liberalização do seu cultivo tem-se verificado a “plantação massiva” de eucaliptos. Como resultado as abelhas “cada vez têm menos onde ir buscar néctar”, alerta o representante daquela cooperativa.

A região do mel DOP Serra da Lousã abrange os municípios de Arganil, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Vila Nova de Poiares, nos distritos de Coimbra e Leiria.

Foto: John Fisher / Creative Commons